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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Adolescência, e agora?!


Frequentemente pais e educadores queixam-se pelas dificuldades em lidar com os adolescentes. De fato essa fase é complexa, requer tolerância e sabedoria de quem já é adulto e precisará acolher esse adolescente. No entanto, apesar de ser uma fase difícil, é necessária para o processo de desenvolvimento humano, ninguém se torna adulto antes mesmo de ser criança e posteriormente adolescente.

Além das queixas relacionadas aos comportamentos de filhos e alunos adolescentes, existem também as dúvidas sobre como lidar com eles de forma eficiente e menos conturbada.

Sempre afirmo ao trabalhar com famílias onde existem adolescentes, que nesta fase a família ganha um "novo membro", um filho novo, diferente, que já não é mais criança e ainda não é adulto, assim a família precisa se reinventar e encontrar novas formas de convivência, que possam ser acolhedoras, respeitando as diferenças entre os membros e sempre estimulando o diálogo. E se a família ganha um novo membro, esse adolescente também ganha uma nova família, que muitas vezes o estigmatiza, coisas do tipo "agora temos um aborrescente em casa" são muito comuns, e são causadoras de sofrimento para o jovem que vivencia os desafios desta fase. Além disso, o adolescente "ganha" um novo corpo, novo gosto musical, novas amizades, novos interesses..."Então, existe alguém novo dentro de mim, e eu não sei o que fazer com isso" (fala de um adolescente, apenas para ilustrar a angustia que pode ser experimentada nesta fase).

Uma autora escreve muito bem sobre adolescência, e escreveu em um de seus livros: "Na adolescência, a tarefa dos filhos é se diferenciar do ninho e construir uma identidade própria. Os pais procuram aquele filho que estava sempre por perto, afável, e encontram tudo mudado: a porta do quarto trancada, som em volume alto, cara amarrada" (Myrian Bove Fernandes em Clínica Gestáltica com Adolescentes, 2013).
É exatamente isso, nessa fase as coisas mudam, as pessoas envolvidas nesse processo mudam, é preciso compreender que o filho não será sempre criança, e para se tornar um adulto precisará viver a adolescência. A convivência familiar, tanto nesta fase como em todas as outras, deve ser regada de presença e participação dos pais, além de incentivo, encorajamento, muito diálogo e uma dose de proteção, para que os jovens possam assumir com segurança caminhos de responsabilidade, com orientação e carinho dos pais e professores.

Para uma convivência harmoniosa, um dos passos importantes é compreender, tanto a família, educadores como os adolescentes, que existe ai visões de mundo diferentes, permeadas por experiências diferentes, gerações diferentes em um tempo social e histórico diferente. Certamente o adolescente de hoje, não é o mesmo de vinte ou trinta anos atras. Sem ter consciência desta diferenciação, os adultos sofrem tentando compreender porque com seus filhos ou alunos é tudo tão diferente do que foi em seu tempo. Tanto as pessoas como a  educação acompanham e são diretamente influenciadas pelas mudanças do tempo e da sociedade, por isso sempre enfatizo, é preciso se reinventar, não dá pra ficar sempre contando a historinha do Chapeuzinho Vermelho e acreditar que seu filho vai achar legal!

Um dos pontos fundamentais que costumo ressaltar no trabalho com famílias e adolescentes, diz respeito a como conviver no dia-a-dia, penso que não existe receita nem mesmo mágica. No entanto, de forma geral, o mais indicado é procurar respeitar essa fase evitando estigmatização e rótulos do tipo, "mal humorado", "aborescente", "rebelde"....Afinal, ninguém é mal humorado sempre, ou estressado sempre, existem momentos ou ocasiões que nos sentimos assim, mas isso não deveria nos definir enquanto pessoas, nem da adolescência e nem na vida adulta. É preciso construir formas de conviver e educar, e isso é uma coisa que se diferencia em cada família, pois deve ser levado em conta as crenças e valores de cada grupo, não é algo feito da noite para o dia, requer envolvimento, persistência e paciência.
Outra conduta legal é mostrar para os filhos ou alunos, que os problemas ou conflitos que surgem em nossa trajetória, todos tem "solução" ou pelo menos uma forma mais harmoniosa de conviver com estes incômodos, não devemos dramatizar os acontecimentos e dar enfase para as intrigas entre amigos, fofocas, enfim, uma opção legal é apenas estar do lado deles conscientizando-os com tranquilidade e sabedoria. E não poderia deixar de mencionar como é importante o encorajamento nesta fase, encorajá-los a se expressar, a resolver seus conflitos, a superar seus medos, a fazer escolhas...Isso é fundamental!
Vale lembrar que cobranças e exigências devem ser ponderadas, afinal, se temos 17 anos é esperado agirmos com alguém de 17 anos e não alguém de 30, certo?!

E sobre o papel do psicólogo, penso que é no sentido de favorecer o crescimento pessoal dos membros da família, auxiliar a família a cultivar a união o diálogo e criar hábitos para tornar a convivência mais positiva e enriquecedora nesse momento do ciclo vital. Esta ai mais um beneficio da terapia :)

Boa Leitura! Espero que possam fazer suas reflexões!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

TDAH....E agora?!



Pais e Professores se queixam com frequência de crianças desatentas e hiperativas. Entre outros, esses sintomas apontam para TDAH, Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, sendo a característica essencial deste transtorno um padrão persistente de desatenção, e/ou hiperatividade e impulsividade.

Bem, de uma forma geral, todos nós temos nossos momentos de desatenção, ou hiperatividade, há dias que estamos mais hiperativos/inquietos e outros em que estamos mais desligados, como se estivéssemos no mundo da lua. E isso não é suficiente para um diagnóstico de TDAH ok.
Quando penso nesta questão dos sintomas, lembro de uma passagem de um livro que dizia o seguinte: "Todo mundo tem açúcar no sangue, uns mais, outros menos. Algumas pessoas tem níveis de açúcar alto e isso acarreta inúmeros problemas de saúde, por exemplo diabetes...assim também é com TDAH"  (trecho do livro No mundo da Lua - Paulo Mattos).

Não se trata de "ter" ou "não ter" sintomas de desatenção e hiperatividade, o que determina a existência deste problema é o quanto você tem sofrido e se prejudicado por conta desses sintomas. De forma geral, temos que avaliar o quanto esses sintomas tem comprometido a qualidade de vida da pessoa e não apenas observar os sintomas e diagnosticar o transtorno. Assim como, não basta saber dos sintomas, mas também compreender o que você pode fazer com eles ou o que eles fazem com você...
Então vamos pensar o seguinte, o que caracteriza um transtorno é fundamentalmente o tempo e frequência que vem sendo vivenciado os sintomas, bem como os prejuízos emocionais e sociais ocasionados pelos mesmos.

O TDAH é diagnosticado primeiramente na infância, visto que neste período a criança esta frequentando escola e ficam mais notáveis os comportamentos de desatenção, inquietude, desorganização, entre outros.
Vale lembrar que, crianças são naturalmente inquietas, pois estão a todo tempo descobrindo coisas novas, um mundo novo onde tudo é tão interessante, mas claro, existem alguns limites que devem ser respeitados.
Uma coisa é ser criança, querer brincar o todo tempo, fazer coisas novas e diferentes, descobrir novas amizades e brincadeiras....Outra coisa são as dificuldades em manter-se organizado, atento, tranquilo e também as dificuldades com aprendizagem, devido a falta de atenção ou desorganização.

Temos que estar atentos, tanto os pais quanto professores e demais educadores, para não sermos intolerantes e acabar acreditando que nossas crianças devem ser e comportar-se do jeitinho que desejamos ou julgamos ser o melhor jeito...Nós temos certa tendência a criar modelos ideais de comportamentos e esperamos que eles aconteçam, principalmente com as crianças. Temos expectativas de que os outros se comportem desta ou daquela maneira, esperamos que os outros atendam a nossos desejos e ideais, isso é perigoso. Principalmente na infância a criança é muito original e autêntica, elas estão dia após dia criando o seu jeito de ser, e nós adultos devemos respeitar isso, nem tudo deve ser mudado a nosso goto, algumas coisas devem ser aceitas e ponto :)

Enfim, vimos que os sintomas podem ser prejudiciais sim, principalmente durante a vida escolar e mais adiante no trabalho, devido a falta de atenção e inquietude. Nestes casos, deve-se sim procurar profissionais para poder trabalhar o problema em questão e buscar melhorar a qualidade de vida da criança e consequentemente dos pais e professores. Psicólogo e Psicopedagogo são profissionais mais indicados para esse caso.

Esta ai mais um beneficio da terapia!

Abraços e até breve :)