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terça-feira, 19 de maio de 2015

Sintoma

Olá, 
Eu sou o sintoma.
Tenho muitos nomes: dor de joelho, abscesso, dor de estômago, reumatismo, asma, mucosidade, gripe, dor nas costas, ciática, câncer, depressão, enxaqueca, tosse, dor de garganta, insuficiência renal, diabetes, hemorroidas e a lista continua. Ofereci-me como voluntário para o pior trabalho: ser o portador de notícias pouco agradáveis para você.
Você não entende, ninguém me compreende. Você acha que eu quero lhe incomodar, estragar os seus planos de vida, todo mundo pensa que desejo atrapalhar, fazer o mal, limitar vocês. E não é assim, isso seria um absurdo. Eu o sintoma, simplesmente estou tentando lhe falar numa linguagem que você entenda.
Vamos ver, me diga alguma coisa. Você negociaria com terroristas, batendo na porta com uma flor na mão e vestindo uma camiseta com o símbolo da “paz” impresso nas costas? Não, certo?
Então, por que você não entende que eu, o sintoma não posso ser “sutil” e “levinho” quando preciso lhe passar uma mensagem. Me bate, me odeia, reclama de mim para todas as pessoas, reclama de minha presença no seu corpo mas, não para um minuto para pensar e raciocinar e tentar compreender o motivo de minha presença no seu corpo.
Apenas escuto você dizer: “Cala-te”, “vá embora”, “te odeio”, “maldita a hora que apareces-te”, e muitas frases que me tornam impotente para lhe fazer entender mas, devo me manter firme e constante, porque devo lhe fazer entender a mensagem.
O que você faz? Manda-me dormir com remédios. Manda-me calar com sedativos, me suplica para desaparecer com anti-inflamatórios, quer me apagar com quimioterapia. Tenta dia após dia, me calar. E me surpreendo de ver que às vezes, até prefere consultar bruxas e adivinhos para de forma “mágica” me fazer sumir do seu corpo.
A minha única intenção é lhe passar uma mensagem, mesmo assim, você me ignora totalmente.
Imagine que sou a sirene do Titanic, aquela que tenta de mil maneiras avisar que tem um iceberg na frente e você vai bater com ele e afundar. Toco e toco durante horas, semanas, meses, durante anos, tentando salvar sua vida, e você reclama que não deixo você dormir, que não deixo você caminhar, que não deixo você trabalhar, ainda assim continua sem me ouvir…
Está compreendendo?
Para você, eu o sintoma, sou “A doença”.
Que absurdo! Não confunda as coisas.
Aí você vai ao médico e paga por tantas consultas.
Gasta um dinheiro que não tem em medicamentos e só para me calar.
Eu não sou a doença, sou o sintoma.
Por que me cala, quando sou o único alarme que está tentando lhe salvar?
A doença “é você”, é “o seu estilo de vida”, são “as suas emoções contidas”, isso que é a doença e nenhum médico aqui no planeta terra sabe como as combater, a única coisa que eles fazem é me atacar, ou seja, combater o sintoma, me calar, me silenciar, me fazer desaparecer. Tornar-me invisível para você não me enxergar.
É bom se você se sentir incomodado por estar lendo isso, deve ser algo assim como um “golpe na sua inteligência”. Está certo se estiver se sentindo frustrado, mas eu posso conduzir o teu processo muito bem e o entendo. De fato, isso faz parte do meu trabalho, não precisa se preocupar. A boa notícia é que depende de você não precisar mais de mim, depende totalmente de você analisar o que tento lhe dizer, o que tento prevenir.
Quando eu, “o sintoma” apareço na sua vida, não é para lhe cumprimentar, é para lhe avisar que uma emoção contida no seu corpo, deve ser analisada e resolvida para não ficar doente. Deveria se perguntar a si mesmo: “por que apareceu esse sintoma na minha vida”, “que pretende me alertar”? Por que está aparecendo esse sintoma agora?
Que devo mudar em mim?
Se você deixar essas perguntas apenas para sua mente, as respostas não vão levar você além do que já vem acontecendo há anos. Deve perguntar também ao seu inconsciente, ao seu coração, às suas emoções.
Por favor, quando eu aparecer no seu corpo, antes de procurar um médico para me adormecer, analise o que tento lhe dizer, verdadeiramente, por uma vez na vida, gostaria que o meu excelente trabalho fosse reconhecido e, quanto mais rápido tomar consciência do porquê do aparecimento no seu corpo, mais rápido irei embora.
Aos poucos descobrirá que quanto melhor analisar, menos lhe visitarei. Garanto a você que chegará o dia que não me verá nem me sentirá mais. Conforme atingir esse equilíbrio e perfeição como “analisador” de sua vida, de suas emoções, de suas reações, de sua coerência, não precisará mais consultar um médico ou comprar remédios.
Por favor, me deixe sem trabalho.
Ou você acha que eu gosto do que eu faço?
Convido você para refletir sobre o motivo de minha visita, cada vez que eu apareça.
Deixe de me mostrar para os seus amigos e sua família como se eu fosse um troféu.
Estou farto que você diga:
“Então, continuo com diabetes, sou diabético”.
“Não suporto mais a dor no joelho, não consigo caminhar”.
“Aqui estou eu, sempre com enxaqueca”.
Você acha que eu sou um tesouro do qual não pretende se desapegar jamais.
Meu trabalho é vergonhoso e você deveria sentir vergonha de tanto me elogiar na frente dos outros. Toda vez que isso acontece você na verdade, está dizendo: “Olhem que fraco sou, não consigo analisar, nem compreender o meu próprio corpo, as minhas emoções, não vivo coerentemente, reparem, reparem!”.
Por favor, tome consciência, reflita e aja.
Quanto antes o fizer, mais cedo partirei de sua vida!
Atenciosamente,
O sintoma.”
Autor desconhecido

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Nosso Universo

Finalizando mais uma semana, parei um momento para refletir sobre as experiências vivenciadas no decorrer desta semana. Sempre ha algo novo que experimentamos em nossas vivências, e o simples fato de nos relacionarmos com os outros e com o meio onde vivemos, já nos possibilita aprender muita coisa sobre nós e sobre eles. Somos dotados de sentimentos e emoções e cada relação que mantemos, desperta em nós algum sentimento. Muitas vezes as pessoas ficam assutadas com as "divisões" que ocorrem dentro de si, as pessoas tem dificuldade de compreender e aceitar os diversos aspectos que nos fazem ser quem somos, assim como os papeis que desempenhamos. Sempre gosto de trabalhar com os pacientes a questão dos papeis que desempenhamos e a maneira com desempenhamos cada um. É claro, que somos uma única pessoa que desempenha vários papeis e em cada um deles nos comportamos de forma diferente, assim como experimentamos emoções diferentes. Somos filha/o, estudante, amiga/o, irmã/o, namorada/o, profissionais... É um universo que nos habita e que nós também habitamos, recíproco não é?!
De fato um influencia o outro, e assim vivemos, alguns dando conta deste universo outros não, já parou pra refletir sobre tudo isso? Os papeis que desempenha, como sente-se em cada um, o que tem feito com seu universo?!

Eu, pensando sobre tudo isso,  conclui que temos em nós um universo imenso de sentimentos, emoções, desejos... e por ai vai!!!


Boa Leitura!


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O que você tem feito com a Ansiedade?!

Olá queridos leitores!

Bem, gostaria de escrever hoje sobre um assunto que já escrevi aqui no blog, mas como percebo que isso tem se tornado uma queixa frequente no consultório e uma preocupação na vida das pessoas, resolvi escrever novamente!

O assunto é ANSIEDADE!

Para Perls, percursor da Gestalt Terapia, abordagem na qual estou me especializando, a ansiedade é "o vácuo entre o agora e o depois". De forma geral, a ansiedade é um sentimento projetado no futuro, permeado por um sentimento incomodo e de constante preocupação. O corpo esta sempre em alerta, como se estivesse se preparando para alguma situação ruim e de sofrimento que pode vir a acontecer.
Séneca, filósofo e escritor da Roma Antiga, certa vez escreveu:  "Qual o modo de escapar a uma tal ansiedade? Há um apenas: que a nossa vida não se projete para o futuro, mas se concentre em si mesma. Só sente ansiedade pelo futuro aquele cujo presente é vazio".

Volta e meia alguém me procura e a queixa principal é referente aos prejuízos que a ansiedade vem trazendo para a vida da pessoa. Ela é mais do que um transtorno ou uma psicopatologia, ela é um sentimento, uma emoção, que se manifestam em nosso corpo, e que alteram nossa qualidade de vida e nosso bem-estar.

Com frequência escuto alguns casos, onde a pessoa já não consegue dormir, se alimentar, ou relaxar. Ela esta sempre agitada, com o corpo em alerta, e cheio de preocupações. Um corpo tomado por tensões musculares, cansaço, exigências e medos.

Sim, as pessoas mais ansiosas também são as mais exigentes, cobram perfeccionismo, organização, de si e dos outros também, e assim as relações começam a ser prejudicadas. Além disso, frequentemente são acometidas pelo medo, medo do que possa acontecer, um sentimento voltado para o futuro, e permeado por situações ameaçadoras, que a pessoa tende a fantasiar.
O rendimento, no trabalho ou na vida acadêmica também é comprometido, devido ao cansaço ou preocupações excessivas.

Bem, poderia ficar aqui e citar uma série de sintoma e manifestações da ansiedade, bem como seus prejuízos e todo o sofrimento que ela representa. Mas, ao contrário disso,  preferi convidá-los a fazer uma leitura mais relaxante e reflexiva.
As pessoas mais ansiosas recorrem a tratamentos mais controladores e rápidos, como por exemplo medicação. Elas querem logo se livrar deste sentimento incomodo e do sofrimento, no entanto, devemos pensar até que ponto devemos nos controlar, controlar nossas emoções e sentimentos?!

A melhor forma de cuidar de si é se conhecendo, é se ouvindo, é se percebendo. Perceber o que esse corpo e pensamento ansioso quer te dizer, a quais pensamentos estão relacionados o cansaço, a tensão, o nervosismo e o medo.
Não precisamos sair fazendo yoga, lendo livros com receitas de como se livrar da ansiedade, ou se jogando em atividades alternativas buscando se ocupar e esquecer da ansiedade, desta forma estaríamos alimentando nossa ansiedade, nos sobrecarregando de compromissos, de leituras e nos nos encarregando e cobrando a "cura". Não precisamos nos alienar na busca pela remoção deste sentimento. Existem outros caminhos, conforme citei acima, podemos buscar formas novas e criativas de lidar com este sentimento incomodo, sem de fato nega-lo, mas "ouvir" o que ele tem a nos dizer, sobre nós mesmos e sobre nossa forma de viver. 

Como vimos existe diversas formas de olhar e tratar a ansiedade, a pergunta que fica é, "o que você tem feito com este sentimento? "

Espero que tenham feito boa leitura!
Forte abraço e até breve :)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Medo

O medo deve ser uma das emoções mais primarias, presente em nossa vida desde o nosso nascimento, tendo em vista que nascemos num mundo desconhecido, a principio é um lugar novo, estranho e acolhedor ao mesmo tempo. Essa emoção ainda nos acompanha durante toda a vida, principalmente na infância e adolescência, pois durante esses períodos não sessamos nossas descobertas e explorações do mundo que nos cerca, sempre ha algo novo, que nos faz sentir algum medo. Uma hora é a inserção na escola, outra hora uma prova, um trabalho para apresentar, uma competição, as mudanças no corpo, relacionamentos, a inserção no mercado de trabalho e por ai vai...

De alguma forma o medo é útil e ajuda-nos a sobreviver, ele nos protege de situações potencialmente perigosas. Não fosse o medo, atravessaríamos a rua sem olhar para os lados, passaríamos a sinaleira no vermelho, experimentaríamos alguma droga na primeira oportunidade, entre outras coisas. Então podemos pensar no medo como uma resposta consciente e necessária para estarmos atentos diante dos perigos.

Mas, nem sempre ele faz esse papel de "mocinho", muitas vezes ele é o vilão e é capaz de trazer prejuízos emocionais e sociais para a vida  das pessoas. Muitas vezes temos dificuldade em se relacionar com o mundo e com as pessoas por conta de nossos medos, e a vida passa a se tornar limitada, pois o medo acaba nos fazendo reféns. À medida que esta emoção se torna mais presente em determinadas situações, podem surgir alguns problemas sociais, como a dependência dos adultos, dificuldade em manter a atenção e concentração, inabilidade para resolver os problemas que surgem, dificuldade em assumir seus problemas e tomar decisões,  e acompanhado disso muitas vezes ainda vem a ansiedade e a insegurança, que também pode apresentar prejuízos para nossas vidas.

Por trás de nossos medos existem muitas coisas, algumas principais são:  nossas fantasias, educação, experiências. Muitas vezes escuto pais falando para os filhos: "se não se comportar vou te levar no médico para ganhar uma injeção" ou ainda "se não se comportar vou te deixar aqui sozinho" ...dai começam as fantasias e  o medo surge como vilão.

Nossos medos muitas vezes também tem a ver com as cobranças que fizemos com nós mesmos ou que recebemos dos outros. Por exemplo, o medo de iniciar num novo trabalho, geralmente vem acompanhado de muita ansiedade e insegurança, pois o novo trabalho representa uma situação nova, até então desconhecida e existe a cobrança de ter que acertar, fazer tudo certo, ser eficiente, agradar ao chefe e companheiros...

Outro exemplo pode ser o medo de ficar sozinho, antes ligado à insegurança da criança que necessita de um adulto protetor, agora, na adolescência ou na vida adulta, pode estar ligado ao medo de crescer, tornar-se independente de seus pais, "ter" que dar conta da vida e de ter de confrontar-se consigo mesmo.

Bem, já vimos que o medo pode estar presente nas mais variadas situações. Eu diria que o medo é sim necessário, mas não podemos nos tornar reféns dele e assim comprometer nossa qualidade de vida.

Alguns medos existem para serem superados!

Nós sentimos quando ele esta nos incomodando e atrapalhando nossa vida social/emocional, esta ai um bom motivo para procurar terapia!

Por hoje é isso!
Beijos e até breve :)